Mudamos definitivamente

João Carlos Caribé | Tá falado | Quarta, 20 de Fevereiro de 2008

Mudamos definitivamente para o novo Blog Entropia, agora com dominio proprio. Não mais atualizarei este blog, se você acompanha o entropia, atualize seus links e feeds:

E se… 2030… Um ensaio de como viveremos em 2030

João Carlos Caribé | Exercício Futurista, Blogonovelas | Sexta, 21 de Dezembro de 2007

Este blog mudou:
Este Post agora esta em novo endereço.

Um irritante som invade minha cabeça, é como se ele perfurasse meu crânio e tocasse dentro de meu cérebro, olho em volta para descobrir a origem deste incomodo e percebo uma intensa luz que cintila suavemente, acompanhando o som que agora acaricia meus tímpanos, o ruído irritante cessara. A luz já não cintila mais, é forte e intensa… o que é isso ? Estou tremendo ! Percebo que estou deitado e me dou conta que a minha programação de despertar estava em execução, o tremor era do meu colchão[bb]. Levantei, esfreguei os olhos, olhei pela janela e vislumbrei o mundo do lado de fora, ele ainda esta lá. Nuvens rosadas formavam imagens interessantes, iluminadas pela vermelhidão do sol que estava nascendo, é um verdadeiro caleidoscópio da natureza. O sistema de som da casa anuncia que meu banho[bb] esta pronto, e que dentro de 15 minutos o café[bb] estará servido. Saudades daquele tempo em que saia para comprar pão, e sentia o cheiro do café sendo preparado. Um pouco mais de dez anos foram suficientes para mudar o mundo, afinal se não fosse assim a humanidade estaria encrencada.

O banho estava ótimo, quando acabei de me secar ouvi o bip que vinha do espelho: Hoje eu teria reunião na central de interação pessoal da empresa, afinal hoje era quarta, dia de interação corporativa. Toquei no espelho para sinalizar que havia lido a mensagem. Antes de sair fui dar um beijo no João, meu filho, mas me lembrei que à esta hora ele já estaria na aula. Arrisquei assim mesmo, entrei no quarto e dei um beijo nele, era hora do intervalo e a professora estava corrigindo os exercícios, e ele falou apontando para a tela do computador: - Olha pai, acertei tudo, e a professora do outro lado endossou: - O João é muito bom aluno, esperamos ele aqui na sexta que é dia de interação pessoal e sociabilização. Acenei positivamente com um sorriso e me despedi, já estava de saída.

Ops! Se eu esquecer de dar um beijo na minha esposa ela pode ficar magoada, relações pessoais e demonstração de afeto são muito importantes no nosso micro-ambiente social, no nosso lar. Mas não foi possível, pois ela estava em uma teleconferência no home office[bb], a reunião começou cedo, eram aqueles clientes de Portugal. Apenas joguei um beijo no ar e fui correspondido e sai satisfeito.

Fico em frente de casa esperando o transporte coletivo que irá me levar à central de interação, o transporte individual é praticamente proibitivo. Com as rígidas regras ambientais o preço do combustível fóssil, o mais poluente, foi parar na estratosfera por conta dos ditos tributos verdes. Fica mais barato encher o tanque de Champagne[bb]. Mesmo no meu carro que faz facilmente 50 km por litro, o custo é muito alto, isto sem contar com a cota semanal de quilometragem. Não vejo a hora de comprar um carro à hidrogênio.

Com a necessidade urgente de reduzir substancialmente a emissão de CO2, os governos priorizaram soluções para minimizar a necessidade de deslocamento. O transporte coletivo foi otimizado ao máximo, você traça seu roteiro e envia para uma central, que automaticamente aloca veículos que passarão na sua rota, você é pego em casa e com vaga garantida. Não existem mais as linhas de ônibus, somente de trem e metrô. A capacidade do veiculo coletivo é proporcional ao fluxo, é otimizado ao máximo, com isto a lucratividade das transportadoras justificou todo investimento em adaptação para seus veículos à hidrogênio. Etanol e biodiesel não eram a solução, reduziam a emissão de gases, mas não na proporção que se fez necessária.

Um comportamento curioso, é que como passamos a maior parte de nosso tempo nos nossos ambientes familiares, quando encontramos estranhos sentimo-nos motivados a conversar, conta-se histórias e piadas e o tempo passa voando. Com menos veículos nas ruas, e as paradas dos coletivos programadas, as vias que antes viviam engarrafadas, agora mais desertas, se tornaram vias de trafego rápido. Há 20 anos isto seria encarado como uma piada de mau gosto, uma utopia.

Estou quase chegando ao centro da cidade, quem conheceu o centro há 20 anos, hoje deve estranhar, esta tão vazio que parece um sábado a tarde. Algumas empresas mudaram suas centrais de interação para o subúrbio, mas a minha preferiu manter o velho escritório[bb] no centro. O bom é que o centro não é mais tão cinzento, hoje temos arvores e alguns prédios ficaram abandonados e foram transformados em florestas verticais, parece uma montanha verde esculpida, só vendo para entender. Aquele ar quente e seco e que entrava rasgando nossas narinas foi substituído por um ar leve e fresco que carrega com sigo o clima da floresta, respira-se com prazer.

Desco do transporte e ando em direção à central de interação da minha empresa, cruzo o saguão, deserto mas imponente, uma forte luz varre minha vista por uma fração de segundos e uma gravação me informa para aguardar alguns minutos, pois outras pessoas estão chegando para o mesmo andar. São as novas normas verdes, até o transporte vertical, vulgo elevador, fora otimizado, o consumo de energia é racionalizado ao extremo. Coletores fotovoltaicos armazenam a energia solar em baterias, a iluminação quando não natural é LED , que possui um consumo muito baixo e uma iluminação eficiente. Curioso mesmo são as soluções de iluminação[bb] decorativa com fibras óticas, coletores na fachada capturam a luz que é transmitida pela fibra ótica e brotam do chão, do teto, de jardineiras, de todos os lugares possíveis e imaginários, formando um show visual que não deixa nenhum ônus com a natureza, simplesmente não gasta energia, captura a luz solar e a utiliza para iluminar[bb] interiores, genial. Pedro esta chegando, vejo que ele, um sexagenário como eu esta em forma, lembro que há 20 anos eu era um gordo e hoje sou um esbelto jovem de 60, pilulas, tecnologias alimentares e os avanços da medicina simplesmente varreram a obesidade do planeta. Cumprimento Pedro com um caloroso abraço, e o sistema de som anuncia que já podemos subir, as portas do elevador se abrem e entramos.

(continua…)

Ação social da Blogosfera Carioca

João Carlos Caribé | Tá falado, Comportamento, Cibercultura, Ativismo | Terça, 18 de Dezembro de 2007

Este blog mudou, agora este post Ação social da blogosfera carioca pode ser lido no Entropia.

Acao Social RJ - Logo da Ação Social RJ

Desde o inicio do mês, está em curso um movimento para uma ação social da blogosfera, uma excelente iniciativa. Iniciativa alias que foi do GraveHeart que lançou a idéia no Twitter e no seu Blog. Animado pelas possibilidades de mobilização que a rede humana formada pelos blogs tem, ele propôs que blogueiros iniciassem movimentos sociais em suas cidades.

Opiumseed iniciou a chamada para a ala Carioca da ação e se tornou involutariamente o embaixador da causa no Rio de Janeiro. A instituição eleita para inaugurar o projeto foi o Instituto Imaculada Conceição em São Gonçalo que acolhe 30 crianças de 7 à 12 anos indicadas pelo conselho tutelar.

No dia 15 de dezembro, Opiumseed, Maffalda e Paulo Coimbra estiveram no Institudo para uma visita preliminar, a ideia seria entregar os kits dentais que a Sanifill doou, mas somente ontem eles chegram ao Rio, e estão a disposição no escritório Carioca da Empresa, e serão encaminhados à instituição na próxima oportunidade.

Todo o desenrolar da ação pode ser acompanhada pelo blog do Opiumseed, pelo HashTags e TerraMinds. Em São Paulo acompanhe pelo blog da Menina que joga.

Quem esta participando:

A instantaneidade, o crowdsourcing e o jornalismo social

João Carlos Caribé | Marketing Emergente, Exercício Futurista, Comportamento, Cibercultura, Negócios | Domingo, 16 de Dezembro de 2007

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Há menos de 20 anos, o máximo de instantaneidade, em termos jornalísticos, que a humanidade conhecia eram a TV e o radio. As chamadas de extra na telinha e no “dial” anunciavam um fato relevante, mas poucas eram as fontes de informação, a noticia era pré-digerida pelo emitente. Vinte e quatro horas depois, poderíamos obter mais detalhes nos jornais e posteriormente nas revistas, ai então um pouco de diversidade e controvérsia, mas tudo muito ameno. As informações eram filtradas em escolhidas por diretores e redatores, e nossa liberdade de escolha se restringia à poucas opções. Naquele tempo, em um caso como o do incêndio recente na California, ocorrido em 20 de outubro deste ano, levaríamos pelo menos duas semanas para termos um volume de informação significativo a respeito do caso, coisa que hoje temos a disposição 24 horas depois. A diversidade então, impossível comparar. Imagine um verbete em uma enciclopédia então, só no ano seguinte, e não em poucas horas como ocorre na Wikipedia.

Desde os primeiros segundos, diversas pessoas começaram a cobertura do incêndio através de seus blogs, Twitter, YouTube, e não menos relevante, através da Wikipedia. A cobertura se dá de forma descentralizada com as pessoas “Twittando” através de seus celulares, postando em seus blogs a partir de seus smartphones, ou até mesmo de seus notebooks. A forma de conexão com a Internet hoje em dia, definitivamente não é fator determinante para o crowdsourcing, estamos cada vez mais conectados[bb], e a tendência é nos conectarmos de forma cada vez mais ubiqua, até o ponto onde a excessão será não estar conectado, os desconectados serão os Amishs do século XXI.

A grande espiral evolutiva continua acelerada e com o raio cada vez menor, a instantaneidade é primordial, queremos saber agora, o que acontece agora, para isto os veiculos tradicionais parecem verdadeiros paquidermes, até mesmo as midias tradicionais no meio digital são lentas. Uma hora, meia hora pode ser muito tempo, queremos saber dos fatos em tempo real, queremos praticamente interagir com eles. Vivemos conectados, notebooks[bb], smartphones[bb], e até mesmo simples celulares via SMS ou MMS, pouco importa, o que importa é interagirmos em tempo real, noticiarmos em tempo real, coisa que os dinossauros da comunicação não entendem. Se entendessem poderiamos pedir ao camera para posicionar-se um pouco mais a direita, ou avisar ao reporter que “aquele cara ali de boné” parece estar sabendo dos fatos. É a vida em tempo real, é a vida conectada, é a informação ubiqua.

Constantemente a credibilidade do jornalismo social é posta em xeque, os veiculos tradicionais defendem que somente eles estão aptos a noticiarem com credibilidade, e que o Jornalismo Social não é confiavel. Trata-se de uma meia verdade, uma vez que os veiculos tradicionais cometem verdadeiras gafes, como o caso do “Homem que diminui o dedo para usar o iPhone” noticiado pelo Estadão. A confiabilidade do Jornalismo social é diretamente proporcional ao número de fontes, ou a credibilidade conquistada por algumas delas. Um grande número de fontes permite ao leitor avaliar por amostragem o que é ou não confiavel, e assim construir a sua percepção de confiabilidade de algumas fontes. Muitos blogs publicam matérias de alta qualidade e confiabilidade, uma vez que para alguns, o blog é uma fonte de status e/ou receita e o leitor é o seu mais valioso ativo.

Em termos de número de fontes, velocidade e interação, o micro-blogging revelou-se um grande aliado do Jornalismo social, e o Twitter é de longe a mais popular ferramenta de micro-blogging. O caso citado acima, do incêndio na California, foi notório mas não o único coberto via Twitter. A grande “sacada” é que em micro-blogging o texto é limitado a 140 caracteres e o celular[bb] é uma potencial ferramenta jornalistica. Textos via SMS para o Twitter, fotos e videos via e-mail para o Flickr e YouTube respectivamente e na outra ponta temos a noticia em qualquer dispositivo, é o verdadeiro crowdsourcing jornalístico.

Um dos “twitteiros” que cobriram o incêndio na California, o Nate Ritter criou uma ferramenta genial, o HashTags, baseado nas populares hash tags utilizadas no Twitter. O HashTags simplesmente captura e grava todos os posts feitos por uma determinada #tag, para isto basta que você tenha uma conta no Twitter adicione o usuário hashtags, que é um bot. A partir deste momento todas as tags que você utilizar serão gravadas no HashTags, e em tempo real. Enquanto escrevia este post, “twittei” usando a tag #entropia, fiz algumas dicas sobre o HashTags nas tags #hint , #dica e #tags. O HashTags mostra ainda um pequeno grafico de atividade de cada tag, possibilitando visualmente identificar qual tag esta quente ou não.

Na minha opinião, HashTags está para o jornalismo crowdsourcing assim como o Twitter está para o micro-blogging, estamos presenciando os contornos da nova economia, da economia Free, de economia crowsourcing. E você o que acha?

Leia mais:

Update 18/12/07 - Existe um novo serviço, o TerraMinds que não funciona como o HashTags mas ele indexa todos os usuarios do Twitter e permite pesquisar por nome de usuário ou palavra chave. Igualmente útil para o Jornalismo Crowdsourcing

Um post por Burma

João Carlos Caribé | Tá falado, Ativismo | Quinta, 4 de Outubro de 2007

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A imensa distância entre o que você vê e o que você compra

João Carlos Caribé | Marketing Emergente, Propaganda Emergente, Comportamento | Domingo, 23 de Setembro de 2007

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A essência da foto publicitária está em retratar da melhor forma o produto anunciado. Obviamente na fotografia[bb] de alimentos, todos os ingredientes são cuidadosamente escolhidos, e na composição do produto vários artifícios são utilizados para dar ao alimento uma bela aparência, tornando-o ainda mais apetitoso. A prática de vender sonhos, transformar necessidades em desejos é comum na publicidade, e para isto vale maquiar a realidade para transforma-la em algo um pouco fantasioso estimulando o consumidor.

wysisnwyg01 - O que voce ve e compra

wysisnwyg02 - O que voce ve e compra

Geralmente, estes lindos alimentos fotografados são incomíveis. Segundo site Don’t Buy It, cuja missão é tornar os futuros consumidores mais espertos, os estilistas alimentares utilizam práticas nada apetitosas:

  • Quando fotografar sanduiches com sementes, como milho ou ervilhas, cole-as com cola tudo ou fixe-as com alfinetes.
  • Aplique spray a prova d’agua nas superfícies para evitar que elas fiquem úmidas.
  • Cozinhe apenas o lado externo das carnes e deixe o centro crú para deixa-la com uma bela aparência e aspecto de frescor.
  • Pinte as carnes, em especial hamburguers com óleo e pigmento marrom.
  • Para fazer as marcas de grill, use um metal bem quente como um ferro de solda por exemplo.
  • Utilize apenas as fatias centrais dos mais belos tomates e aplique neles uma mistura de glicerina e água para dar uma aparência de frescor.
  • Use toalhas de papel dobradas como fraldas para que a gordura e o sangue das carnes não escorram para o pão.
  • Escolhas folhas bem verdes, saudáveis sem marcas marrons ou falhas.

Quando Chris Locke, Doc Searls, David Weinberger escreveram em 1999 o Manifesto Cluetrain, estavam informando ao mundo que o consumidor estava mudando, e conectados e juntos ficaram muito mais inteligente que a soma de suas inteligências. O novo consumidor esta ficando cada vez mais refratário à publicidade. Veja que o filme sincero da Dove Evolution, que transformou-se em um imenso buzz, acabou por ganhar o Gran Prix de Cannes este ano, sem ter sido veiculado na TV. Este comportamento escancara para quem quer ver, que o consumidor quer sinceridade e transparência, quer interagir com pessoas e não com super-heróis ou ficção., quer realidade e não fantasia.

Para comprovar isto, basta uma simples busca no Google e econtrará centenas de posts e artigos que falam do tema “food advertising x reality”. Uma das respostas que me chamou a atenção foi um link no Digg, cujo post recebeu até o momento 3866 votos e nada menos que 274 comentários.

Voltando ao aspecto dos alimentos, fica pergunta: Será que teremos de colocar fotos reais nas peças publicitárias ou teremos de fazer um bom marketing de serviços aliado a P&D para produzir alimentos cada vez mais parecidos com a suas fotografias?

Fontes: Boing Boing e Jeff Kay’s the West Virginia Surf Report

VII Gamacom

João Carlos Caribé | Tá falado, Marketing Emergente, Propaganda Emergente, Comportamento, Cibercultura | Sexta, 21 de Setembro de 2007

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Há oito aos que a Universidade Gama Filho não realizava o GAMACOM, o tradicional encontro de Comunicação Social da instituição. Tive a honra de ser convidado para participar de um dos painéis do encerramento que tratava do tema “Convergência e Interatividade“. O painel foi mediado pelo profesor Christiano Henrique dos Santos, sub coordenador do curso no Campus Downtown. Junto comigo na mesa estavam Laís Pimentel (Gerente de Conteúdo do Portal G1) e Aydano André Motta (Jornalista e Redator Especializado da Coluna do Ancelmo Gois).

Laís Pimentel foi a primeira a falar e relatou sua experiência no RJ TV, no portal G1 e na BBC em Londres. Laís com sua eloquência e simpatia falou com bom humor da sua experiência em trabalhar na BBC, e os incríveis protocolos a serem seguidos quanto o assunto é a Realeza Britânica. Segundo Laís, as rádios Inglesas, além da ótima qualidade são bem diversificadas, atendendo a nichos bem específicos. Será o cauda longa das radios ? (grifo meu).

Da sua experiência no G1, que foi criado para “furar” a Globo News, Lais chamou a atenção para a velocidade com que a matéria precisa ser públicada no portal. Muito menos burocratizado e com uma logistica muito mais enxuta que os outros meios, como rádio, Jornal ou TV, os portais medem seu desempenho em minutos. Estar cinco minutos à frente do concorrente faz uma enorme diferença em tempos onde a instantaneidade é uma característica dos veículos de comunicação. Uma outra grande preocupação levantada pela Lais e endosada pelo Aydano foi a checagem da notícia, que acaba tornando-se um grande “calcanhar de aquiles” nesta velocidade. Por fim Laís citou ainda o exemplo do vídeo produzido por celular que já é utilizado pela BBC, bem como o uso da convergência para o envio de fotos, textos e filmagens pela Internet dando mais velocidade à sua publicação.

Aydano Motta falou de sua experiência com o Ancelmo Gois, no Ancelmo.com e sua experiência como jornalista. Segundo Aydano, apesar do discurso apocaliptico de alguns jornais como o The New York Times, o jornal não vai acabar, continuarão a existir. Por outro lado ele ressaltou que os jornalistas é quem precisam se adaptar ao novo meio.

Aydano também levantou a questão da confiabilidade e velocidade da informação. Segundo Aydano, publicar para a Internet é uma tarefa muito mais rápida e simples, basicamente basta um smartphone ou um notebook para isto. Para Aydano, O “clima” da redação é muito mais quente e em geral pelo menos dois profissionais comentam uma matéria antes dela ir para o Jornal, já na Internet esta tarefa é mais solitária, o reporter tem grande autonomia para publicar, e basicamente não precisa submeter sua matéria à criticas, culpa da instantaneidade.

A Internet Brasileira é essencialmente Paulista, ressaltou, assim como o a mundial é Americana. Curiosamente eu ja havia ouvido esta constatação nos meus tempos de Evangelista da Macromedia.

Um case curioso de tendência participativa foi quando ele citou o Blog Reporter do Crime, onde Jorge Barros mapeou a violência e abriu a participação aos leitores que enviaram milhares de e-mails com relatos de crimes e sua localização. O Trabalho ficou tão bom que foi utilizado pela secretaria de segurança do Rio de Janeiro. É o crowdsourcing em prol da cidadânia (grifo meu). Aproveitando a “deixa” Aydano citou ainda um belo exemplo de Jornalismo colaborativo, o Omninews, que infelizmente não esta tão bem como a promessa inicial, o domínio esta inclusive à venda.

Fiz uma apresentação inicial, falei dos tempos de Macromedia, e tentei resumir em 10 minutos um histórico da Internet no Brasil que gastei uma hora e meia na última vez que falei dele. Fiz um breve histórico evolutivo, falei rapidamente dos primórdios e em seguida do modelo de negócios do Flash Brasil que tornou-se referência da Macromedia, e me levou a dar uma palestra em 2001 em New York para 100 lideres de comunidades virtuais de diversas partes do mundo. Neste mesmo evento assisti à palestras do SteveKrug, outra de Hillman Curtis e diversas outras me levando a constatação de que a Internet deste ponto em diante iria tomar outra dinâmica, afinal estava assistindo ao marco da mudança da Internet “Egocentrada” para o foco no usuário, e que anos depois levou ao que hoje conhecemos por web 2.0, a internet produzida pelo usuário.

Com o tempo ficando curto, passei logo para as novidades, falei um pouco de inteligência coletiva, crowdsourcing,e das comunidades do Orkut com vida inteligente, dentre elas a Cibercultura, Publicidade e Propaganda e Marketing no Brasil. Falei do TechCrunch 40, onde foram apresentados alguns serviços inovadores como o Viewdle que faz reconhecimento facial e esta em testes pela Reuters, do Teach the People que é um site de e-learning colaborativo, do Kaltura que permite a produção crowdsourcing de videos e do Ponoko que permite que os usuários produzam móveis e utensílios e os venda na Internet.

Com o tempo curto, não tive tempo de explicar o que tanta tecnologia tem em relação ao marketing. Agências Digitais devem estar antenadas a todas as tendências tecnológicas e sociais das midias interativas, pois em linhas gerais o marketing digital não segue à regras e metodologia pré-estabelecidas, o sucesso de uma ação digital depende muito do conhecimento e feeling. As oportunidades de ações interessantes e de sucesso dependem de uma equipe antenada, ligada tambem nos últimos hypes, no que já virou meme e enxergar uma forma de disseminar a mensagem sem interferir no equilibrio do ciberespaço e com grande chance de propagar-se.

Após minha apresentação um grupo me interpelou, e uma menina, cujo nome não lembro, me perguntou exatamente porque o boom da internet se deu em 2000/2001 coincidindo com o que falei sobre a acessibilidade e usabilidade como percursor da web 2.0. Na hora respondi basicamente que além da constatação do usuário, a Internet começou a ser anunciada com mais frequencia a TV. Me enganei viu! Na verdade os anuncios de serviços de Internet na TV comecaram em 1999. Em 2000 tivemos a febre do acesso grátis e nos dois anos seguinte a consolidação dos blogs. Em 2004 o início do Orkut. Estes eventos sim, podem ser considerados como responsáveis pelo boom da internet. Esta tudo nos slides que usei na minha palestra” A Dinastia do Flash no Brasil“.

Apertem os cintos, o consumidor mudou!

João Carlos Caribé | Marketing Emergente, Exercício Futurista, Propaganda Emergente, Comportamento, Cibercultura | Terça, 4 de Setembro de 2007

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Não se trata de uma nova versão da classica comedia pastelão, e sim de mais uma constatação de que o mercado mudou e continua mudando numa velocidade cada vez maior. Os sinais estão por toda parte: Este ano as verbas publicitárias digitais estão superando as mais tradicionais mídias, o mercado da comunicação está mudando, os publicitários não entendem de internet e o consumidor fica cada dia mais sabido e exigente, isto sem falar na quebra da comunicação corporativa por conta das redes sociais que ja são usadas como potentes ferramentas de CRM.

O perfil do novo consumidor vem sendo traçado com frequencia, alias cada dia fica mais dificil traçar algum perfil, o consumidor esta “derretendo” engordando a cauda longa que não para de crescer. Este novo consumidor é a antintese do consumidor de massa do passado. Antes consumia-se para pertencer à uma “tribo”, hoje também! Só que as “tribos” diminuiram e ficaram mais diversificadas.

O agente catalizador da evolução sempre foi a infomação, hoje temos isto de sobra, alias temos em excesso. Com o advento da Internet cada consumidor de informação passa a ser um emissor de uma comunicação em rede, um ambiente liquido, onde a informação pode ser fragmentada, reconstruida, fundida e novamente fragmentada… No meio do ecossistema da nova comunicação, a publicidade é interpretada como ruído e é descartada na primeira fragmentação, ou pior, muitas vezes totalmente descartada antes mesmo de ser exibida.

Quem viveu os primórdios da Internet no Brasil deve lembrar como este mercado se comportava. Era um imenso latifundio a ser explorado, projetos e ideias mirabolantes surgiam a todo instante, o espirito empreendedor ganhava auras de desbravador, e a Internet parecia uma infidável mina de ouro. Vivemos hoje entropia semelhante no mercado da comunicação, a diferença é que encontrar a formula ideal pode ser a chave da sobrevivência em um futuro muito próximo.

Quebrando paradigmas
Tem muito profissional de comunicação que nunca vai entender o novo consumidor, e muito menos o que houve com o mercado de comunicação. Não que ele não tenha capacidade intelectual para isto, ele não conseguirá entender isto com os fundamentos teóricos e ferramentas usuais ele não possui uma vivência que permita este entendimento, não faz parte da sua cultura. Muitos paradigmas precisam ser quebrados:

  • Mídia - Esqueça mídia, para de pensar em mídia, pare de tentar tangibilizar um conceito que não se aplica ao novo consumidor. Mídia simplesmente não faz sentido para um público que tem a liberdade de escolher se quer ou não ser impactado pela propaganda. Lembre-se em tempos de comunicação líquida, o meio é a mensagem.
  • Internet não é midia - Internet não é midia, quem te disse isto? Internet hoje é um complexo ecossistema social que chamamos de ciberespaço. Chamar a internet de mídia é subestimar a sua capacidade, ela não chega a ser o metaverso em si, afinal ela esta muito presente no mundo real, mas possui autonomia suficiente para sê-lo. Temos de “destangibilizar” nosso conceito de mídia, a Internet congrega informações, serviços, lembranças e emoções, tudo em bits, tudo líquido.
  • Internauta é mãe ! - Tratar um usuário de internet por internauta é uma forma de distancia-lo, é trata-lo como um ser diferente. As interpretações podem ser desde uma forte dose latente do emitente em tentar manter seu status quo, como a simples tentativa de rotular um grupo de pessoas. Descontando a face emocional do discursso, sobra a ignorância. A nova cultura é a cibercultura, é a cultura da geração conectada, que a cada dia expande tanto horizontalmente quanto verticalmente atingindo indivíduos cada vez mais novos e mais velhos. Se sou um internauta posso afirmar que em muito breve todos seremos, então os diferentes serão os desconectados.
  • Vivemos cada vez mais conectados - Quem pensa que a internet fica no computador precisa rever seus conceitos. Foi risível a matéria do Fantástico deste fim de semana, onde uma mãe desesperada “desligou a internet” do filho viciado. Enquanto existir esta “guerra” entre o real e o virtual vão existir interpretações tendenciosas como estas. O problema é psicológico, o vício poderia ser em qualquer coisa. Mas voltando ao assunto, há muito a internet “saiu” do computador, hoje ela é acessível por wap (celular), pelo telefone (VXML) e integrando soluções com dispositivos como o RFID, além é claro da TV Digital que corre um sério risco de ser engolida pela IPTV. O certo é que vivemos cada vez mais conectados, nossas casas, carros, eletrodomésticos e o que mais for possivel imaginar estarão conectados.

Este artigo não tem a ambição de ser conclusivo, nem tem uma visão generalista, apenas tem por objetivo apontar fortes tendências. Ele foi motivado por um artigo que retrata a visão de profissional que é muito parecida com a minha, e como me resaltou o Gilberto Pavoni, ele possui a grife “Forrester Research”. Eu na verdade pesquiso para montar a minha pequena agência que vai nascer mês que vem, mas construi um background suficiente para um cargo executivo em uma grande agência. O futuro? Who Knows the future?

Publicitários não entendem de Internet ?

João Carlos Caribé | Marketing Emergente, Exercício Futurista, Propaganda Emergente, Comportamento, Cibercultura, Negócios | Sexta, 10 de Agosto de 2007

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A mudança de paradigma, a quebra do status-quo, o impacto disruptivo eminente tem deixado muitos publicitários completamente perdidos. Eu ja havia preconizado que nos próximos anos veremos a queda da propaganda e a ascensão do marketing, não que eu seja um guru, ou esteja rogando uma praga, mas as evidências estão ai para quem quiser ver.

O antigo modelo de negócios das agência de publicidade esta sendo aos poucos delapidado, anunciantes querem o BV, agencias dividem suas comissões, anunciantes criam suas houses cada vez mais. Mas ainda bem que o bom e velho anuncio de 30″ gera uma boa receita… Mas até quando?

Esta por enquanto é uma pergunta sem resposta, a resposta que posso dar é que as agências precisarão se reconfigurar para sobreviverem, se estão contando com a TV Digital para isto, esquecam, o tempo previsto para implantação no Pais de 10 anos é uma eternidade em termos de “Internet time”. Até la ela ja estará obsoleta pela IPTV que estará acessível a todos. E se você acha que estou enganado, apostando na Internet para a classe C, então é porque você não leu a ultima pesquisa publicada pela Datafolha e encomendada pela F/Nazca que aponta um contigente de 49 milhões de usuários a partir de 12 anos, contigente este que pode chegar á 60 milhões se levarmos em conta usuários abaixo desta idade, e com uma penetração de quase 40% na classe C.

Quem foi ao Digital Age 2.0 (e eu infelizmente não fui) pôde assistir ao “debate” entre o Luis Grottera - CEO da TBWA\BR com a Suzanna Apelbaum sócia da Hello!. O debate levantou polêmicas como pode ver:

No Techbits:

É possível perceber claramente que Grottera é conservador, estilo antigo e a Suzana mais antenada nas novas tecnologias. Em uma discussão que perguntava se o comercial de 30 segundos da TV estaria com os dias contados, Groterra defendeu que uma campanha na TV gera recall (lembrança por parte dos consumidores) ao redor de 20 a 30%. Então se você investir 10 milhões de reais, 8 milhões foram jogados fora, mas 2 milhões aproveitados. E, segundo ele, essa é uma boa média. Ainda segundo o Grottera, vale mais investir na TV do que na internet, mídia que ficará cara tanto quanto a TV daqui alguns anos.

Peraí… acho que ele não leu a Cauda Longa. Peraí… 8 milhões jogados fora e somente 2 aproveitados? Peraí… Claro, já entendi. Ele está defendendo o seu peixe.

Já a Suzana Apelbaum defendeu a internet. Não sei como não saiu uma briga mais feia, hehe! Na internet é possível direcionar totalmente os esforços publicitários. Cem mil reais investidos no Google dão retorno de porcentagem muito maior. Não há desperdício com o ruído como o fato dos consumidores zapearem entre os canais.

No Tecnocracia:

Hypes à parte, a Internet está revolucionando a forma de fazer propaganda. Aliás, a Internet está finalmente sendo feita por pessoas, sobre pessoas e para pessoas e com isso está revolucionando a forma com que as pessoas fazem e absorvem propaganda, TV, conteúdo, notícias, entretenimento, etc. O consumidor não quer mais assistir comerciais na TV - o próprio Martin Lindstrom em sua palestra afirmou que a criança de hoje é capaz de acompanhar 5.4 canais de TV simultaneamente, contra 1.7 canais de um adulto médio. Nós mudamos de canal durante as propagandas; Nós compramos canais por assinatura para fugir da propaganda da TV aberta; Nós assistimos ao Joost, baixamos episódios pela Internet, vemos vídeos no YouTube. Nós selecionamos a propaganda que queremos ver.

No Techbits, Fugita lembra que o Grand Prix de Cannes este ano foi um filme que nunca foi à TV.

Se você não concorda comigo então una-se ao Elton John, que esta liderando uma campanha para fechar a Internet.

Provérbios populares 2.0

João Carlos Caribé | Tá falado, Universo paralelo, Comportamento | Quinta, 26 de Julho de 2007

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Esta semana eu pensei em escrever outra coisa, mas uma brincadeira com a familia na hora do almoço acabou gerando este post. Eu sou membro da ja não tão reduzida minoria que trabalha em home-office e pode compartilhar do prazer de trabalhar e estar com a familia.

Nossa cultura tem diversos ditados populares, os proverbios que acabam servindo de base filosofica para muita gente, mas veja que nos tempos atuais muitos dos ditados estão completamente obsoletos:

  • Quem espera sempre alcança - Em tempos de um mercado ultra competitivo podemos dizer que na verdade que “Quem espera perde a vez“.
  • Quem ri por ultimo ri melhor - Uma rápida assimilação das mensagens em uma comunicação massificada e em rede como a atual demanda mais velocidade de interpretação. O certo seria - “Quem ri por ultimo ri sozinho”.
  • Em time que esta ganhando não se mexe - Seth Godin deve morrer de rir com este ditado, pois afinal não existe nada mais salutar no contexto corporativo do que a mundança constante. Este ditado poderia ser: “Em time que esta ganhando a mudança é constante”
  • Os últimos serão os primeiros - Não existe ditado mais estupido que este, os ultimos só serão os primeiros no dia em que se contar de trá pra frente. Tudo bem que ele tenha um toque motivacional, mas ele não passa a ideia de que para se tornar o primeiro é necesário atitude. O certo é “Os últimos serão os perdedores”.
  • Em terra de cego quem tem olho é rei - Ditado válido mas de extremo mau gosto em tempos de reconhecimento do valor das minorias. O certo seria: “Em terra de cego, quem tem olho não entende tudo de acessibilidade”
  • A pressa é inimiga da perfeição - Nos tempos da manufatura este provérbio tinha seu valor, afinal tudo tinha de sair perfeito e o tempo era farto. Hoje em dia, a vida conectada, a globalização, a enxurrada de informações, a competitividade acirrada no mercado de trabalho nos remete a uma outra ótica para este ditado: “A pressa tem de ser amiga da perfeição”
  • A união faz a força - Existem muitos ditados perfeitamente válidos, este é um, mas poderiamos aperfeicoa-lo para : “O networking faz a força”.
  • A mentira tem perna curta - De fato a mentira acaba se revelando sozinha, ou acaba se tornando uma reação em cadeia. A mentira tem se tornado parte do nosso dia a dia, cada vez mais vemos a verdadeira mentira top down, a mentira que vem de cima. Que tal se o ditado fosse: “A mentira não tem um dedinho” >;)

Existem infinitos proverbios, pessoas gostam de proferir proverbios pois demontram sabedoria. Proverbios podem até ser um reflexo da sabedoria das multidões, na verdade muitos dos proverbios acabam se tornando uma das grandes falhas da sabedoria das multidões, as falhas por informações em cascata.

A falha por informações em cascata acontece pela subversão da razão, que na sua maioria das vezes é involuntária e instintiva. Provérbios totalmente desalinhados com a realidade continuam sendo proferidos pelas mais diversas bocas, perpetuando-se por aqueles que os repetem como um mantra.

O ser humano tem uma forte tendência em perpetuar o status quo de tudo, muitas vezes toma atitudes desesperadas para mante-lo, na crença de que o fim justica os meios.

Afinal “Monkey see, monkey do”….

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