O menino da natureza

João Carlos Caribé | Biografando | Domingo, 16 de Abril de 2006

Sempre curti muito a natureza, seus detalhes complexos e intimamente relacionados, me passaram a idéia de ecossistema muito antes de saber o que esta palavra significava.

Aos oito anos entrei para o grupo de Escoteiros, o 123º Grupo Escoteiro do Mar Almirante Saldanha, que ficava, e ainda acho que fica até hoje, no Clube Piraquê, na Lagoa Rodrigo de Freitas.

A minha maior motivação para ser escoteiro veio das revistas em quadrinhos; eu era fascinado com os sobrinhos do Pato Donald, que eram Escoteiros mirims, e viviam aventuras incríveis nas florestas. Huguinho, Zezinho e Luizinho, este eram os nomes deles, dominavam como ninguém as técnicas do escotismo, fui o feliz possuidor do Manual do Escoteiro Mirim, meu primeiro livro sério sobre o assunto :) .

Como escoteiro aprendi realmente várias coisas interessantes, logo no começo a primeira aventura foi uma escalada ao Pico do Bico do Papagaio, simplesmente emocionante, uma aula de tudo relacionado a vida no mato. A incrível vista a partir do pico passara aquela sensação de vitória, de poder algo fora de série para um adulto, imagine para uma criança.

Depois foram várias atividades divertidas e emocionantes, destas uma outra muito legal foi um acampamento na Ilha Grande, lá aprendemos e praticamos mais técnicas, desta vez ligadas ao mar e a navegação.

Neste meio tempo meu Pai resolveu que iria se tornar campista, comprou barraca, fogareiro, colchonetes e um monte de “traquitanas” de camping e lá fomos nós acampar em Itatiaia. Foi uma experiência incrível, foi meu primeiro contato com temperaturas tão baixas e com cachoeiras realmente amedrontadoras. Isto sem falar que no camping existiam pedras enormes onde eu podia praticar pequenas escaladas.

Logo na primeira noite a temperatura chegou próxima de zero graus, um frio danado de bom. Todo mundo de gorro, casacos grossos, botas e luvas. A noite no Camping era animada com jogos e brincadeiras na cantina e muito frio. Eu e minha irmã brincavamos de fumar, soprando contra o ar e vendo a espessa fumaça branca que se formava.

Eu não tinha medo da cachoeira amedrontadora, apenas um pequeno receio, não que eu fosse super corajoso, mas anos antes eu ganhei de presente um kit de mergulho do Mike Nelson. Meu Pai me levou, “devidamente equipado”, para depois da arrebentação, na praia de Ipanema. Confesso que morri de medo, a areia estava realmente longe, mas depois fui ganhando confiança e ai fui ficando destemido.

No dia seguinte, iria enfrentar outro desafio, mergulhar na cachoeira amedrontadora. Um cara destemido como eu não teria medo de uma simples cachoeira, quanto mais quando tinham lindas garotas me olhando. Esta era a idade de “se amostrar” para elas. No primeiro mergulho eu quase me machuquei, depois aprendi que era uma boa prática entrar e sondar a cachoeira antes, e saber onde estavam as pedras, onde era mais fundo, mais raso…

O próximo passo era ficar sob a queda d’agua, este seria um grande ato de bravura, que na minha cabeça deixaria as garotas caídas de paixão. E lá fui eu, haviam outras pessoas lá, até mesmo um garoto da minha idade. Cheguei la, e aquela agua forte caindo na minha cabeça me fez pensar em desistir por um momento, mas depois foi incrível, ai fiquei sumindo por trás da queda d’agua aparecendo, sumindo, e assim por diante.

jcpiraicc - Eu no Pirai Country Club aos 9 anos

Aquele garoto da minha idade, que disputava os olhos das meninas comigo era o filho do “Guarda Camping”, muito experiente em cachoeiras, me ensinou a andar nas pedras, e principalmente sobre os perigos da tromba d’agua.

Quando a agua cristalina, ficava meio barrenta, ou quando começava a ficar suja de galhos e folhas era hora de sair fora, se não desse era hora de ir para o lugar mais alto possível. A tromba d’agua era impressionante, mostrava o incrível poder da natureza, a cachoeira subia até dois metros de altura acima do seu nível normal muito rapidamente, e com uma força impressionante. Muitas vezes a tromba d’agua mudava as pedras de lugar. Era sempre rotina após uma tromba d’agua verificar novamente onde ficaram as pedras, se onde era fundo continuava fundo, raso onde era raso.

O episódio mais emocionante foi assistir ao salvamento de minha prima que ficou presa sobre uma pedra no meio da tromba d’agua, foi um perigo real, um momento de muita expectativa e muita tensão.

Continua ….

Orientação ao procedimento - Uma introdução

João Carlos Caribé | Orientação ao procedimento | Sexta, 14 de Abril de 2006

Há dez anos a minha primeira publicação na Internet foi um site focado em O&M (Organização e Métodos). Neste site eu publicava minhas teorias, desenvolvidas com base nos cinco anos anteriores, de forma bem didática. Apesar da Internet ser pouco popular no Brasil em 96, eu já tinha um pequeno público de leitores interessados, e até recebi alguns depoimentos de empresários que estavam aplicando minhas teorias em suas Empresas.

oprod - Screenshot do projeto original

Durante um ano eu publiquei quatro artigos da série :

  • Orientação ao procedimento - ou a reengenharia da micro e pequena empresa.
  • Recepção - A porta de Entrada da Empresa.
  • Recepção - A porta de Saída da Empresa.
  • Arquivo Central - Reduzindo a papelada.

Entretanto, no ano seguinte, o sucesso meteórico de minha relação com o Flash, que deu inicio ao Flash Brasil, me afastou deste projeto de O&M.

Dez anos depois decidi publicar novamente estes artigos, e dar continuidade ao projeto. Este tempo foi suficiente para tornar obsoleta muitas práticas e apresentar novas soluções tecnológicas muito mais eficientes. Por esta razão a re-publicação não será apenas copiar os textos originais e cola-los aqui. As teorias terão de ser repensadas e adaptadas para tirar proveito dos recursos atuais, vamos ver no que vai dar…