Vivendo uma velha paixão, reflexões de um quarentão

João Carlos Caribé | Tá falado, Biografando | Segunda, 9 de Julho de 2007

Este blog mudou, e este post pode ser lido e comentado no novo Blog Entropia

Confesso que ando sem tempo de escrever por aqui, absorver tudo que acontece por ai para uma mente esponja é o caos. Quando penso em escrever, logo aparece algo mais interessante para falar e assim vai num ciclo alucinante. Já coleciono mais de 20 posts incompletos nos meus rascunhos. Ou eu crio um “digg” ou começo a escrever. Como a minha proposta deste blog foi de ter textos originais, baseados ou não em outros blogs, mas mesmo assim originais então um “digg” esta fora de questão. Logo vou voltar a escrever por aqui, eu gosto muito mesmo. Vamos ver se consigo ao menos um post por semana.

Ando sem tempo, minha vida passa por uma transição, alias, nunca li Ricardo Semler, mas já virei minha própria mesa diversas vezes, sou o tipo do cara que tem prazer em fazer isto, minha vida é uma eterna transição, muito mais que uma evolução.

Aos meus 40 anos me permiti resgatar uma velha paixão, da época do DJ, ou melhor, Discotecário: A comunicação no seu mais amplo significado, como Discotecário aprendi a mexer com a emoção das pessoas, na verdade interagir com a emoção delas, no mais clássico estimulo x resposta. Minha forma de comunicação era a música, minha resposta a dança. Como pude não perceber isto antes? Comunicação sempre foi a minha praia, foi meu primeiro vestibular, e eu passei! Passei para a Gama Filho, mas mudei o curso para Engenharia por pura sedução. Cometemos todos os mesmos erros, esta na cabeça do jovem, o hedonismo não é uma característica atual, é uma característica do jovem. A expectativa de um bom salário em curto prazo me seduziu, seduziria qualquer um na minha idade, é como um relacionamento com uma gostosa burra, no inicio é uma maravilha, mas depois é um saco conviver com uma pessoa que não consegue compartilhar nada alem de fluidos. O mesmo se dá com um trabalho que não te proporciona nada além de dinheiro. Criativo como sempre fui, consegui conviver 14 anos com isto, sempre inventava um jeito de encontrar o lado bom das coisas, acabei me tornando mais otimista do que antes, e desenvolvi um excelente faro por oportunidades que surgem de ameaças. Fiquei destemido.

Há 12 anos, quando meu filho nasceu, dei meu primeiro passo. Joguei tudo para o alto e fui me envolver com a Internet que chegava ao Brasil. Criei o Flash Brasil, voltei a me relacionar com as massas, passei a dar aula, treinei milhares de profissionais de web. Foi bom, mas passou. Neste período, meu relacionamento com a equipe de Marketing da Macromedia, diga-se de passagem, excelente equipe, me resgatou aquela velha emoção, lembranças daquela paixão que deixei no altar do vestibular agora atordoavam minha mente, já pensava em mais uma virada de mesa, alias nem precisava ser tão radical, pois vivenciei plenamente todo o desenrolar o que chamamos de marketing digital, alias vivenciei intensamente toda história da Internet no Brasil, fui parte dela, fiz a diferença.

Aos 40 não me tornei um “tio” rebelde, não comprei uma super moto, não passei a “perturbar” as ninfetas, fiz melhor, voltei para a faculdade!

Decidi deixar de lado o preconceito, voltei para a Faculdade, escolhi um curso de graduação tecnológica (que é rápido) de Publicidade e Marketing, as ninfetas viraram minhas coleguinhas e minha turma tem um monte de tios e tias que nem eu. What a wonderful world! A emoção é tão boa e intensa que me tornei um daqueles alunos obcecados, do tipo mala que não falta nem aula enforcada por feriado. Minhas coleguinhas e meus coleguinhas devem pensar: “Putz! Que coisa de velho, um tremendo feriadão e este mala vêm à aula.” Nada disto, mas também não adiantaria explicar, eles não entenderiam mesmo. Virei um CDF, até meu filho me chama de CDF, mas ai tinha mais um detalhe, o pai tem de dar o exemplo, mas confesso que fiquei obcecado, ou melhor, fascinado. Leio sobre o assunto em todo tipo de fonte, escrevo sobre o tema, discuto sobre o tema. Respiro publicidade e marketing, é uma transformação intensiva, necessária e urgente, resgatar uma velha paixão pode não ter uma nova chance.

Capitão AZA ou Capitão Furacão ?

João Carlos Caribé | Biografando | Quarta, 12 de Julho de 2006

Nos primeiros anos da minha infância, eu curtia TV nos modestos horários dedicados ao público infantil. A TV era irremediavelmente preto e branco, nunca maior que 17 polegadas e o som e imagem estavam permanentemente sujeitos às mais diversas interferências. Enceradeiras e liquidificadores eram os campeões. Um esbarrão na antena era suficiente para acabar com o prazer de ver TV, e geralmente a imagem só ficava boa com a antena nas mais exóticas posições.

Nesta época, na década de 60, podiamos escolher entre a vasta opção de três canais de TV no Rio de Janeiro: TV Globo (canal 4), TV Tupy (Canal 6) e Canal 13 (Mas ninguem assistia). Então na prática existiam apenas duas opções para o público infantil.

Na TV Globo, quem comandava os programas infantis era Capitão Furacão, um velho e experiente lobo do mar, interpretado pelo ator Pietro Mario Francesco. No ar desde 1965, o Capitão Furacão usava um quepe de comandante e uma jaqueta. Sempre manobrando um timão, lia as cartas e chamava as atrações. O velho lobo do mar era assistido por seus Grumetes, destacando-se uma bela e jovem menina, a Elizângela, aquela mesmo que hoje assistimos nas novelas da Globo.

Capitao Furacao - Capitão Furação

Na extinta TV Tupi o Capitão AZA, é assim mesmo com Z, comandava a gurizada. AZA era um experiente piloto da FAB. Em plena ditadura militar, o personagem foi criado como homenagem a um falecido herói da FAB, chamado Azambuja, que lutou na Seguda Guerra Mundial, conhecido por AZA entre os colegas.

Quem lembra ?

“… Alô, alô Sumaré! Alô, alô Embratel! Alô, alô Intelsat 4! Alô, alô criançada do meu Brasil!, aqui quem fala é o Capitão Aza, comandante e chefe das forças armadas infantis deste Brasil”.

Assim começava o programa do Capitão AZA.

Capitão AZA era o idolo da molecada, eu mesmo quando criança fui ao aterro do Flamengo recebe-lo. Ele chegou de helicoptero para alegria dos pequenos fãs.

Capitao Aza - Foto do Capitão Aza

Saiba mais sobre o Capitão AZA, Capitão Furação e programas da TV Brasileira dos anos 60.

O menino da natureza

João Carlos Caribé | Biografando | Domingo, 16 de Abril de 2006

Sempre curti muito a natureza, seus detalhes complexos e intimamente relacionados, me passaram a idéia de ecossistema muito antes de saber o que esta palavra significava.

Aos oito anos entrei para o grupo de Escoteiros, o 123º Grupo Escoteiro do Mar Almirante Saldanha, que ficava, e ainda acho que fica até hoje, no Clube Piraquê, na Lagoa Rodrigo de Freitas.

A minha maior motivação para ser escoteiro veio das revistas em quadrinhos; eu era fascinado com os sobrinhos do Pato Donald, que eram Escoteiros mirims, e viviam aventuras incríveis nas florestas. Huguinho, Zezinho e Luizinho, este eram os nomes deles, dominavam como ninguém as técnicas do escotismo, fui o feliz possuidor do Manual do Escoteiro Mirim, meu primeiro livro sério sobre o assunto :) .

Como escoteiro aprendi realmente várias coisas interessantes, logo no começo a primeira aventura foi uma escalada ao Pico do Bico do Papagaio, simplesmente emocionante, uma aula de tudo relacionado a vida no mato. A incrível vista a partir do pico passara aquela sensação de vitória, de poder algo fora de série para um adulto, imagine para uma criança.

Depois foram várias atividades divertidas e emocionantes, destas uma outra muito legal foi um acampamento na Ilha Grande, lá aprendemos e praticamos mais técnicas, desta vez ligadas ao mar e a navegação.

Neste meio tempo meu Pai resolveu que iria se tornar campista, comprou barraca, fogareiro, colchonetes e um monte de “traquitanas” de camping e lá fomos nós acampar em Itatiaia. Foi uma experiência incrível, foi meu primeiro contato com temperaturas tão baixas e com cachoeiras realmente amedrontadoras. Isto sem falar que no camping existiam pedras enormes onde eu podia praticar pequenas escaladas.

Logo na primeira noite a temperatura chegou próxima de zero graus, um frio danado de bom. Todo mundo de gorro, casacos grossos, botas e luvas. A noite no Camping era animada com jogos e brincadeiras na cantina e muito frio. Eu e minha irmã brincavamos de fumar, soprando contra o ar e vendo a espessa fumaça branca que se formava.

Eu não tinha medo da cachoeira amedrontadora, apenas um pequeno receio, não que eu fosse super corajoso, mas anos antes eu ganhei de presente um kit de mergulho do Mike Nelson. Meu Pai me levou, “devidamente equipado”, para depois da arrebentação, na praia de Ipanema. Confesso que morri de medo, a areia estava realmente longe, mas depois fui ganhando confiança e ai fui ficando destemido.

No dia seguinte, iria enfrentar outro desafio, mergulhar na cachoeira amedrontadora. Um cara destemido como eu não teria medo de uma simples cachoeira, quanto mais quando tinham lindas garotas me olhando. Esta era a idade de “se amostrar” para elas. No primeiro mergulho eu quase me machuquei, depois aprendi que era uma boa prática entrar e sondar a cachoeira antes, e saber onde estavam as pedras, onde era mais fundo, mais raso…

O próximo passo era ficar sob a queda d’agua, este seria um grande ato de bravura, que na minha cabeça deixaria as garotas caídas de paixão. E lá fui eu, haviam outras pessoas lá, até mesmo um garoto da minha idade. Cheguei la, e aquela agua forte caindo na minha cabeça me fez pensar em desistir por um momento, mas depois foi incrível, ai fiquei sumindo por trás da queda d’agua aparecendo, sumindo, e assim por diante.

jcpiraicc - Eu no Pirai Country Club aos 9 anos

Aquele garoto da minha idade, que disputava os olhos das meninas comigo era o filho do “Guarda Camping”, muito experiente em cachoeiras, me ensinou a andar nas pedras, e principalmente sobre os perigos da tromba d’agua.

Quando a agua cristalina, ficava meio barrenta, ou quando começava a ficar suja de galhos e folhas era hora de sair fora, se não desse era hora de ir para o lugar mais alto possível. A tromba d’agua era impressionante, mostrava o incrível poder da natureza, a cachoeira subia até dois metros de altura acima do seu nível normal muito rapidamente, e com uma força impressionante. Muitas vezes a tromba d’agua mudava as pedras de lugar. Era sempre rotina após uma tromba d’agua verificar novamente onde ficaram as pedras, se onde era fundo continuava fundo, raso onde era raso.

O episódio mais emocionante foi assistir ao salvamento de minha prima que ficou presa sobre uma pedra no meio da tromba d’agua, foi um perigo real, um momento de muita expectativa e muita tensão.

Continua ….

Ô moleque chato !

João Carlos Caribé | Biografando | Segunda, 2 de Janeiro de 2006

Desde criança, sempre fui fascinado pelo futuro. Nascido na década de 60, assisti em tempo real os astronautas pousarem na Lua, assistia Perdidos no espaço, Tunel do Tempo, Viagem ao fundo do mar, sempre fui fã de Julio Verne e Irwin Allen, e sempre achei o futuro mais interessante do quê o passado. Conversava com meus Pais, Tios e Avós que deveriam imaginar: “Ai ! Lá vem aquele garoto falar de futuro novamente…”.

Pois é, aos poucos fui montando meu senso crítico e descobri que a grande maioria das previsões futurísticas dos meus parentes era furada, ou pior, eram apenas respostas evasivas à uma mente borbulhante.

Não demorou muito para surpreender minha familia novamente, agora eu gostava mesmo era de conversar com os mais velhos, quanto mais velho melhor. Aos sete anos eu descobri que os velhos adoram falar, e minha curiosidade me tornava um bom ouvinte, era o queridinho dos velhinhos. Mas a surpressa mesmo era que eu não perguntava mais do futuro, e sim do passado. Eu queria saber como era a educação, lazer, relacionamentos, e tudo mais no tempo deles. Depois o papo mudou para os meus Tios e meus Pais, dai a coisa foi evoluindo para os primos mais velhos. Tudo que eu queria eram sólidos fundamentos do passado, e do futuro do passado para servirem de background nas minhas elocubrações futurísticas.

Toda esta pesquisa levou alguns anos, mas me fez concluir, aos nove anos, que a evolução não era constante, e sim que aumentava de intensidade com o tempo, eu não tinha conhecimento suficiente para falar que era uma progressão geométrica, mas era mais ou menos isto que pensava. Por exemplo, para meus avós, as coisas não mudaram tanto ao longo de suas vidas, como para meus primos ao longo de poucos anos…

Dai em diante me tornei viciado em informação, era um devorador de enciclopédias, livros, revistas e documentários. Adorava o Amaral Neto Reporter, Mike Nelson e o programa Mundo Animal.

Você deve estar imaginando que eu era um moleque gordinho que ficava quieto no seu lugar, ledo engano, era um garoto esquálido que fazia arte, muita arte durante o dia, e fazia minhas “pesquisas” à noite, já que na TV a unica coisa legal, à noite, era a novela Irmãos Coragem.

O pequeno devorador de informações, estava montando seu background, já percebia aos onze anos que vários fatores externos retro-alimentavam a evolução, e que eles também deveriam ser levado em contas nas minhas elocubrações futurísticas. Ouvi muito falar do impacto da Revolução Industrial, da forma de pensar de Henry Ford, e comecei a me interessar pela forma de pensar dos cientistas. Hoje meus ídolos são Albert Einstein e Stephen Hawking.